4.29.2012

lembro-me da primeira vez que partiste. doeu de tal maneira, que seria impossível esquecer. lembro-me de te dar um abraço, ver-te virar-me as costas com as lágrimas a cair-te pelo rosto e de eu, engolir o choro em seco para mostrar que era forte o suficiente. na verdade, o que eu sempre tentei ser foi forte por mim e por ti, pelas duas. passaram-se meses até te voltar a ver, e quando partiste a segunda vez doeu ainda mais. não por te ver ir, mas sim pela maneira como nos despedimos. as tuas visitas tornaram-se mais frequentes, até que houve uma altura em que desejei que nunca mais viesses de visita, pois cada vez que vinhas tinha que me mentalizar que não ias ficar. agora, três anos depois, as tuas chegadas e partidas já não doem. mas apesar de me ter habituado a isso, continuo aqui, a ansiar que cumpras o que prometeste e voltes definitivamente, mãe.

4.19.2012

faz hoje dez meses que estamos juntos. tudo começou á precisamente dez meses. sabes, sempre achei que amar alguém e ter alguém que me amasse do meu lado todos os dias, era o que eu devia procurar para preencher parte do meu vazio, era isso que me ia "arranjar". e então, encontrei-te a ti, por algum motivo baixei a minha guarda para ti. comecei a amar-te e de facto, durante os primeiros meses tu preencheste-me. tínhamos brilho e paixão. sim, éramos novos e apaixonados. tu iluminaste a minha escuridão e convenceste-me que nunca mais ela iria voltar. agora, passado pouco menos de um ano, nós tornamos-nos velhos e cansados. o brilho desapareceu levando com ele bocados de mim até restar nada e a nossa relação tornou-se depressiva e baseada em discussões. por ti, eu mudei e mudei a minha vida. por ti, eu perdi pessoas que amava, restando-me ninguém para além de ti. o rapaz doce e meigo que mostravas ser revelou-se um controlador e obsessivo e bruto. sinto que estás cansado mas não o queres admitir. e eu, por várias vezes, já pensei acabar com isto mas dei-te demasiado de mim para te deixar. o que mais magoa é ouvir as pessoas dizer que já não me reconhecem.

4.09.2012

gostava que visses nos olhos por quem passas todos os dias, o que a boca se recusa a prenunciar. gostava que eles te contassem, sem palavras, as infinitas saudades que me vão no coração. nove meses se passaram. e, agora que, dou por mim a pensar nos abraços guardados, nas lágrimas contidas, nos sorrisos disfarçados, nos olhares desviados e nas conversas inexistentes é que me apercebo que nove meses se foram. se soubesses a falta que me fazes. sempre me recusei a pensar no nosso fim porque nunca o imaginei possível, e mesmo depois de tanto tempo ainda não aceitei que nós já não somos o que éramos. já não somos melhores amigas. que tu, tens alguém a ocupar o meu lugar. agora, penso que já seja tarde de mais para lutar. queria-te de volta mas os lábios permanecem fechados de orgulho.
só queria puder voltar a abraçar-te.

Memórias ♥